Em 2023, os vereadores Luiz Fernando de Souza, Peter Saimon e Sumara Leal denunciaram ao Ministério Público pagamentos da Prefeitura de Cassilândia por serviços de roçada de grama. Segundo eles, parte dos serviços que aparecem nas notas fiscais não foi feita.

De acordo com a denúncia, a prefeitura pagou em 2022 um total de 4.109 diárias de roçada, a R$ 196 cada, o que soma mais de R$ 805 mil. Com outras notas, o valor denunciado passa de R$ 863 mil. A empresa contratada foi a Viveiro Três Corações LTDA, que tinha vários contratos com a prefeitura.

O caso ficou conhecido na cidade como CPI do Gramão.

Onde o serviço não apareceu

Os vereadores pediram cópias das notas fiscais de outubro, novembro e dezembro de 2022. Segundo eles, serviços listados nessas notas não foram realizados em locais como o Cemitério Municipal, o Córrego Cedro e o Distrito de Indaiá do Sul.

Uma única nota, de dezembro de 2022, foi de R$ 58.408.

O prefeito na época era Valdecy Pereira da Costa (PSDB). Vice de Jair Boni, ele assumiu a prefeitura em 6 de junho de 2022, depois da morte do prefeito. Os meses de outubro, novembro e dezembro de 2022, cujas notas os vereadores pediram, são da gestão Valdecy.

O inquérito e a CPI

Em 9 de maio de 2023, o promotor Leonardo Dumont Palmerston instaurou inquérito civil para apurar possíveis atos de improbidade administrativa e pediu à prefeitura cópias dos contratos com a empresa.

O portal Capital News noticiou que os vereadores também pediram a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Câmara Municipal para investigar as notas.

Desde a abertura do inquérito já se passaram três anos e meio.

O que aconteceu com quem denunciou

Sumara Leal foi eleita vice-prefeita em 2024, na chapa de Rodrigo Barbosa (PP). Rodrigo venceu Valdecy na eleição para prefeito por 5.213 votos a 4.906.

Peter Saimon teve o mandato cassado pela Câmara em setembro de 2024, por 9 votos a 2, por um crime de trânsito anterior ao mandato. Ele afirmou que a cassação foi uma tentativa de calar a fiscalização. Em 4 de fevereiro de 2025, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul manteve, por unanimidade, a liminar que suspendeu os efeitos da cassação. Com a decisão, Saimon permaneceu no cargo.

Esta reportagem abre a série Para Cassilândia Lembrar, que retoma casos da administração pública da cidade.

Com informações do TOP Mídia News, Capital News, Investiga MS e Cassilândia Notícias.